Escudo, Força e Porção.

Compartilhando verdades bíblicas.

L’amour

forever

    O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não se vangloria, não se ensoberbece, não se porta inconvenientemente, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não suspeita mal; não se regozija com a injustiça, mas se regozija com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
    
O amor jamais acaba; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá. (…)
     Agora, pois, permanecem a fé, a esperança, o amor, estes três; mas o maior destes é o amor.
(1Coríntios 13:4–8, 13, ARC)

    Sei que essa descrição de Paulo se encaixa em todo tipo de amor: seja por Deus, pela família e etc. Mas quero focar em eros, o amor romântico.
    Gosto bastante dessa passagem. Seria mentira falar que foi um esforço me lembrar dela, pois independentemente de religião, quase todo mundo a conhece. Eu mesmo de ler este capítulo como constante lembrete de que mesmo que eu queira abraçar o mundo, sem amor nada me valeria. Mas com essa coisa de Dia dos Namorados – entenda que eu não estou criticando a data, não gosto de jogar  areia na felicidade alheia – me peguei refletindo sobre o tema.
    Quando foco nas características do amor e levo para o romance, percebo que me deparo com tudo o que eu nunca senti. O que não significa exatamente que eu nunca tenha sentido afeição, atração, gostado ou me apaixonado por ninguém. Significa que eu nunca amei ninguém. E isso me leva para o primeiro ponto de reflexão: como eu poderia ter amado alguém, e hoje não amar mais? Seria possível eu dizer “Ah, eu te amei muito, mas agora…”? Não! Ou pior, vendo a banalidade com que se trata o amor hoje em dia – tem gente que nem ‘Bom dia’ diz, mas não vê problema nenhum em sair distribuindo vários ‘te amo’ por aí – é mais que possível dizer. O difícil é ser verdade.
    Não pense que gosto de criticar a vida dos outros sem antes consertar a minha. Já senti paixão muito forte, com direito às frescuras cinematográficas hollywoodianas (ainda acho que eles são os principais responsáveis por sairmos confundindo qualquer paixonitezinha com amor): olhar profundo que parece, e só parece, decifrar a nossa alma; coração acelerado, pernas vacilantes e blá blá blá. Forte e mais duradoura que qualquer “gostandinho” já experimentado, quase dois anos. Seu tempo de duração, o mesmo fator que me fazia confundi-la com amor, foi o que me esclareceu a dúvida depois de terminada a paixão: porque, se fosse amor, não teria terminado (1Coríntios 13:8a). E essa não é a única descrição bíblica de amor, 1João 4:8b diz que Deus é amor. Se Deus é eterno e o próprio Deus é amor, como pode haver contradição entre essas duas palavras, sendo o amor passageiro? Como eu posso amar milhares de pessoas numa vida só? Repare que nós mesmos nos contradizemos, porque ao mesmo tempo em que dizemos amar fazemos cara de nojo quando vemos casais extra-melosos falando “te amo pra sempre” (mesmo que esse pra sempre dure menos que duas semanas).
    E tem mais: “Eu te amava, mas você me magoou e por isso hoje eu amo o Fulaninho” Como, se o amor não guarda rancor? (falo por base na NVI, que em vez de terminar o versículo 5 falando “não suspeita mal”, diz “não guarda rancor”). “Eu falei primeiro que a amo porque, sabe como é, senão ela também não diria que me ama” (isso quase ninguém diz, mas bem sei que muita gente pensa) Como, se o amor verdadeiro não busca seus próprios interesses? “Eu sabia que isso lhe magoaria, mas lhe amo!” Como, se o amor é bondoso e não maltrata? (entenda que para este caso há exceções, visto que homens e mulheres são diferentes e o que não significa nada para um é pior que um chute no estômago para o outro. O que diferencia essas exceções é justamente não saber, não ter a intenção de magoar). “Porque a minha amada é muito melhor, mais distinta, mais bonita e inteligente que o resto das meras mortais. Ela é importada, modelo exclusivo!” Meu filho, você está falando uma mulher ou de um carro? Porque mulher nenhuma gosta de ser exibida como troféu. E eu estou falando de mulher, não de garota. E o amor não se vangloria, não se ensoberbece…
    Amar não é um mar de rosas. O amor é maduro, não é tão inconsequente e divertido como a paixão. Porque na paixão a gente só pega o lado positivo da coisa, o “tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” fica de lado. A paixão deve ser maravilhosa quando acompanhada do amor, mas sendo o amor maior que a fé e a esperança, as únicas coisas que permanecem (1Coríntios 13:13), em sua essência é maior e permanece mesmo quando a paixão acabar.
    E quando vejo todas essas características, mais as outras que não descrevi, não encaro o amor como um desconhecido chato, banal e desinteressante, mas sim como um desconhecido ansiado e desejado cujo não sei se já estou pronta para receber.

                                                                                                                    Geórgia B. Moreira 

Como Uma Onda No Mar?

Onda No Mar

    Feliz é o homem que persevera na provação, porque depois de aprovado receberá a coroa da vida, que Deus prometeu aos que o amam. (Tiago 1:12, NVI)

    Na quinta ou sexta serie, se não me engano, quando ainda estudava no Galvão e usava as apostilas do Positivo, vi a letra de Zen Surfismo (ou Como Uma Onda, do Lulu Santos) na seção de Português. A partir de então, carreguei comigo essa música até os dezessete anos. Eu achava o máximo, afinal, algumas letras parecem dizer tanto sobre a gente, não é? E não venham me recriminar, em minha defesa digo que eu não tinha discernimento algum.
    Outra confissão da minha adolescência: eu amava decorar termos matemáticos. Não porque eu gostasse da matéria, mas porque eu compunha músicas (sim, desde os quinze anos. Uma pior que a outra, acredite) e gostava de colocar títulos do tipo Incógnita, Variável, Constante e etc. Eu já avisei antes que nunca fui muito normal, não?
    Demorei anos para entender que a inconstância não era uma coisa boa, tinha todo o aspecto de ser. Ninguém poderia argumentar sobre estar cansado de algo, variar parecia uma solução bastante viável. Começar diversos projetos e não concluir nenhum não era o efeito colateral mais desejável, mas a princípio não me incomodou tanto quanto deveria.
    Quando paro pra pensar no motivo de eu gostar tanto de ler Tiago, chego à conclusão de que me parece bastante dolorido. Leio com a plena convicção de que sempre vejo suas palavras percebo o quão imperfeita sou. Em vez de isso ser motivo para eu fugir de Tiago, é justamente o que me faz lê-lo sempre e torna sua epístola a minha favorita dentre os apóstolos.

    Meus irmãos, considerem motivo de grande alegria o fato de passarem por diversas provações, pois vocês sabem que a prova da sua fé produz perseverança. E a perseverança deve ter ação completa, a fim de que vocês sejam maduros e íntegros, sem lhes faltar coisa alguma. Se algum de vocês tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá livremente, de boa vontade; e lhe será concedida. Peça-a, porém, com fé, sem duvidar, pois aquele que duvida é semelhante à onda do mar, levada e agitada pelo vento. Não pense que tal pessoa receberá coisa alguma do Senhor, pois tem mente dividida e é instável em tudo o que faz. (Tiago 1:2–8, NVI)

     Posso concluir algumas coisas desse trecho:
    1. Nós não nos alegramos nas provações. Mas sabendo que temos um bom motivo para sofrê-las e que ao final seremos melhores que no começo, deveríamos;
    2. Inconstância e maturidade não são sinônimos. Se queremos ser tratados como pessoas adultas e maduras, devemos agir como tais (1Coríntios 13:11);
    3. Não somos culpados pela nossa falta de sabedoria. Mas levando-se em conta que Deus a concede a todos livremente, somos culpados por não pedi-la sim (Mateus 7:7–8);
    4. É fato que sem fé é impossível agradar a Deus. Mas é mentira nossa dizer que termos fé se não perseveramos, visto que a segunda é fruto da primeira (Tiago 1:3);
    5. A nossa instabilidade impede o melhor de Deus sobre nossas vidas (Tiago 1:7–8).

                                                                                   Geórgia B. Moreira

O Que Não Tem Pra Hoje

Sem Paciência


    
Porque sou eu que conheço os planos que tenho para vocês’, diz o Senhor, ‘planos de faze-los prosperar e não lhes causar dano, plano de dar-lhes esperança e um futuro. Então vocês clamarão a mim, virão orar a mim, e eu os ouvirei. Vocês me procurarão e me acharão quando me procurarem de todo o coração. Eu me deixarei ser encontrado por vocês’, declara o Senhor ‘e restaurarei a sorte de vocês. Eu os reunirei de todas as nações e de todos os lugares para onde eu os dispersei, e os trarei de volta para o lugar de onde os deportei’, diz o Senhor. (Jeremias 29:11–14, NVI) 

    Gosto tanto dessa passagem. Acho que todo mundo gosta, porque é agradável de se ouvir. E, de tão agradável, torna-se clichê. E como clichê geralmente usado para consolar as pessoas em seus momentos de tristeza, às vezes não é tratada com a seriedade que lhe é devida.
    Eu estava refletindo mais a fundo sobre Jeremias 29 na semana passada. Conhecendo o seu contexto, sabemos que trata-se de uma carta para os exilados de Jerusalém e Judá, aqueles que foram levados como escravos para a Babilônia. Era um consolo sim. Mais que um consolo, uma promessa condicional (ler os versículos 13 e 14).
     Por que eu estou escrevendo tudo isso? Porque quero que vocês entendam como somos complicados. Todo mundo gosta de saber que Deus tem grandes pensamentos ao nosso respeito, principalmente quando estes são maiores que os nossos. A gente só esquece (esquece?) que o Senhor que faz essa promessa é o mesmo que diz “Há tempo para todas as coisas…” (Eclesiastes 3:1–8). Fico aqui imaginando a reação daquele povo ao saber disso: Vamos voltar do exílio? Eba, aleluia! Espera aí, Deus, como assim setenta anos? Ah, mas é muito tempo para esperar, quem é que agüenta tudo isso? Eu nem sei se vou estar vivo até lá! Quer saber, deixa pra lá. A Babilônia nem é tão ruim assim como andam dizendo…
    Nós somos imediatistas (neologismo sim, peço licença poética), ninguém gosta de esperar. Nós escolhemos tudo na pressa, pra que dificultar? Vamos facilitar ao máximo, esperar é para os fracos. Eu quero tudo do bom e do melhor, mas quero agora – e nem um minuto depois! Como assim, o melhor não está disponível no momento? E o bom, também não? Ah, mas ainda tem o mais-ou-menos (que está sempre mais pra menos), não tem? Serve esse então. Se é o que Deus sonhou pra mim? Não sei, não é nem o que eu sonhei. Mas é o que tem pra hoje, está valendo.
    Já perdi a conta de quantas vezes quase caí nessa armadilha. Faculdade, namorado… Tantas escolhas mal-feitas. E mesmo hoje, que eu deveria estar supostamente vacinada, tem vezes que me vejo no mesmo dilema. Vezes estas em que “Não andeis ansiosos por coisa alguma” não parece fazer tanto sentido, afinal, nunca nos faltam motivos para argumentar com Deus a nossa falta de paciência (é claro que você não é assim. Só eu tenho essa dificuldade, né? Estende a mão e ora por mim então!). E quando isso acontece, o Senhor me responde “Não. Filha, por que você corta tanto caminho? Você pode até querer fugir da minha correção, mas se estou lhe ensinando é porque a amo. Eu não me contento com menos. O que tenho para lhe dar não é para hoje, é para sempre! Eu sou o Senhor; na hora certa farei com que isso aconteça depressa.”
                                                                                      

                                                                                          Geórgia B. Moreira

Let it Shine, Let it Shine!

This little light of mine, I'm gonna let it shine... ♪

"Levante-se, refulja! Porque chegou a sua luz, e a glória do Senhor raia sobre você. Olhe! A escuridão cobre a terra, densas trevas envolvem os povos, mas sobre você raia o Senhor, e sobre você se vê a sua glória. As nações virão à sua luz e os reis ao fulgor do sua alvorecer.” (Isaías 60:1-3, NVI)

    Ontem eu estava relendo Isaías 60, uma das minhas passagens favoritas, e reli esses três versículos muitas vezes. Dois paralelos surgiram em minha cabeça:
    A) Mateus 5:13–16, onde Jesus fala que somos luz do mundo e sal da terra;
    B) This Little Light of Mine, clássico da música gospel americana que já apareceu em dezenas de filmes e comerciais.

    Relembrei algo que eu já havia descoberto antes, mas ainda não compartilhei: Para Deus não basta simplesmente a minha gratidão. Não que eu deva ser ingrata, mas Ele não quer que fiquemos estacionados nessa atmosfera. E não, eu não estou falando minha opinião, tenho bases bíblicas para isso (os versículos em destaque são algumas delas).
    Prestem muita atenção no tom imperativo do primeiro versículo:
Levante-se, refulja! (particularmente, eu gosto mais da versão que diz 'Levanta-te, resplandece') Isaías não disse "Por obséquio, você poderia levantar-se e brilhar? Mas só se não for muito incômodo, se você tiver coisa mais importante para fazer deixa pra lá", foi uma ordem. E a outra referência citada confirma esta ordem (Mas se o sal perder o sabor, como restaurá-lo? Não servirá para nada, exceto para ser jogado fora e pisado pelos homens. (…) Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas obras e glorifiquem ao Pai de vocês, que está nos céus). Em outras palavras, é como se Jesus dissesse "Então você não quer brilhar? Tudo bem, a escolha a sua. Mas não pense que isso não lhe tornará inútil e consequentemente pisado" – não pensem que eu estou querendo pintar a imagem de um Deus malvado. O Deus que nos dá o direito de escolha é o mesmo Deus que é amor e justiça, e retribui a cada um segundo as suas obras.
    O livre-arbítrio nos concede todas as escolhas de nossa vida, e nós amamos isso. Eu amo o livre-arbítrio, exceto por Jesus crucificado esta é a maior prova de amor que poderia receber. E penso eu (ao menos espero) que quem está lendo essa devocional escolheu viver para Deus. Só que, francamente, a gente é muito sacana. A gente fala "O meu Deus, sou filho de Deus, graças a Deus, glórias somente a Ele" e ao mesmo tempo faz recortes de Sua palavra, selecionando-as em duas colunas: a) isso eu concordo, dá para eu fazer e b) essa parte eu não quero não, é fanatismo religioso, também conhecida como "Mas isso foi no velho testamento, hoje nós temos a graça!" 
– entenda que eu não estou querendo recosturar o véu, estou bem feliz com ele rasgadinho e   não estou mandando ninguém ir matar pombas e acender holocaustos. Mas acredito que, se Jesus é o Verbo e é o mesmo ontem, hoje e sempre, como Ele poderia se contradizer? Como Ele poderia ser versátil à nossa vontade se nós supostamente oramos (ou deveríamos orar) “Seja feita aTuavontade, assim na terra como no céu”? Sinceramente, a gente precisa ler mais a bíblia e orar pedindo discernimento para entender o que Deus quer nos dizer independentemente de ser o que queremos ouvir ou não (ler Mateus 5:17–20 já é um bom começo).
    O que eu quero dizer com isso? Que é hipocrisia nossa dizer que escolhemos viver para Deus se continuamos a viver à nossa maneira. Nossa mesmo. Vocês têm uma mania irritante de achar que eu gosto de falar coisas que ninguém gosta de ouvir só para mostrar o quão “certa” estou e não entendem que as mesmas coisas desagradáveis que eu falo e escrevo também custaram a entrar na minha cabeça, e que se eu gosto de compartilhá-las é porque não quero reter conhecimento que tem abençoado a minha vida. Não pensem que eu nunca li coisas na bíblia que bati o pé – amor aos inimigos, perdoar em vez de vingar-se, idolatria, rebeldia, palavras torpes… Até perdi a conta da minha lista de antigos pecadinhos de estimação.
    Mas, com o tempo e com o Espírito Santo aprendi que viver para Deus é mais que sentar em uma cadeira, mais que falar amém sem nem ter noção de com o que se está concordando. É ser humilde, percebendo que existem coisas muito mais importantes que o meu próprio umbigo. É renunciar, pois não existe cristianismo sem renúncia (Lucas 9:23–27). Carregar a nossa cruz não foi uma mera metáfora representando o que aconteceria com Jesus, representa a nossa decisão diária de morrer para velhos hábitos e prazeres que não glorificam a Deus. Porque, mesmo sendo feitos à Sua imagem e semelhança, de outra maneira não brilharemos para Ele.

                                                                                                    Geórgia B. Moreira

Meus Amigos, Meus Discos e Livros. E Nada Mais

Jimmy Bolha

“Ouça, ó Israel: O Senhor, o nosso Deus, é o único Senhor. Ame o Senhor, o seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todas as suas forças. (Deuteronômio 7:4–5, NVI)

    Ok, tem gente que não vai entender a minha escolha de título. Eu sei.
    Quem me conhece sabe que desde pequena (sinceramente, não que eu tenha crescido muito desde então) eu tenho um longo relacionamento com a música. Meu pai tocava violão e cantava, fazia música, e eu cantarolava o tempo todo em todos os lugares por onde passava. Eu estudava música na escola, na igreja e até em casa – se a música tivesse um cheiro, nossa casa certamente o teria. Por dever, por diversão ou por qualquer outro motivo. Minha vida se resumia à música, Vivo Per Lei era o meu lema.
    Muitas das frases que até hoje, vez ou outra, aparecem em minha mente tornaram-se conhecidas em tardes onde, nas folgas, meu pai cantava no karaokê do computador. Dentre as variantes musicais, rock clássico, ópera e MPB. Aí entra o título em questão:

    Eu quero uma casa no campo (…) Onde eu possa plantar meus amigos, meus discos e livros, e nada mais.

    Eu vivia cantando e ouvindo essa música, perdi a conta de quantas vezes. Eu era apaixonada pela aparente visão simplista da música, afinal, do que mais precisaria uma pessoa para viver? Pelo menos eu não precisava de tanto.
    Com o passar dos anos – muitos anos, por sinal. Não foi de uma hora pra outra – eu fui percebendo o quão egoísta eu era. Até o que eu pensava ser simplicidade era egoísmo. Eu era idólatra, e não era pouco. Mas esse é o tipo de coisa que a gente só vê com o passar do tempo, até então eu nem sabia dar nome aos meus defeitos e pecados. O que eu posso dizer com toda a certeza é que não havia espaço para Deus na minha vida, e não havia porque eu não queria. Eu estava muitíssimo satisfeita com a minha vidinha medíocre, em sentar no banco e bater cartão na igreja (quando eu ainda fazia isso, porque durante quatro anos eu larguei tudo e não quis nem saber) para querer alguma mudança de vida. Pra que eu iria querer mudar de vida? Estava tão bom… Pra mim. Minha mãe é quem sabe o que sofreu com a minha teimosia e orgulho.
    Assim como Jó, eu apenas conhecia Deus de ouvir falar (Jó 42:5). Eu mesma falava dEle com muita convicção; muita convicção e nenhuma intimidade. Para entender que a essência é Jesus eu tive que me esvaziar de toda a religiosidade que já estava tão implantada em mim e recomeçar. Eu precisei me apaixonar por Deus outra vez, e abrir espaço para Ele. Eu tive que buscá-lo, mas buscá-lo de verdade – não como quando eu era criança e cantava “Quem não ora, a Bíblia não lê, diminu-i-rááá…”, mas depois não queria nem saber. Foi necessário um esforço.
    Hoje, pessoas pensam que me agradam falando de religião – o ser humano e sua velha mania de resumir Deus em religião. É claro que eu tenho as minhas crenças sim, não escondo isso. Mas aprendi que ter uma vida com Senhor é mais do que meras práticas habituais. É relacionamento, mudança, um modo de vida. É prática, e não teoria. E, sem amor, não é nada (1Coríntios 13:1–3)

                                                                                           Geórgia B. Moreira

Poucas Linhas

A terra era sem forma e vazia e o Espírito do nosso Deus se movia sobre a face das águas.

    Tu, Senhor e Deus nosso, és digno de receber a glória, a honra e o poder, porque criaste todas as coisas, e por tua vontade elas existem e foram criadas. (Apocalipse 4:11, NVI)


    Como acabei de dizer no título, não tenho por pretensão fazer deste um texto grande.
    Às vezes eu vejo pessoas procurando tantos pretextos para não acreditar em Deus. E, entenda que isto não é uma crítica direta, apenas a expressão da minha opinião – a qual todos têm direito nessa democracia: Eu simplesmente não consigo entender. É claro que alguém poderia dizer “Porque você foi criada em família cristã” e blá blá blá, o que não deixa de ser verdade. Eu responderia que ser cristã não faz de mim burra. E, não sei se peco por isso, mas mesmo não concordando e tendo e bases sólidas nas minhas convicções, procuro ao menos saber o que as pessoas pensam. Quando olho pra lógica ateísta não consigo encontrar um ponto de concordância.
    Olho para a nossa vida cotidiana. Um suco, mesmo que artificial não se faz sozinho. Um bolo não fica pronto por abiogênese. Um texto, que é um exemplo bem mais simples não se cria sozinho. Como eu posso acreditar que o universo, sendo infinitamente mais complexo, surgiu de uma “simples” explosão? Que todos os seres vivos são originados de bactérias microscópicas? Que, supondo que a Terra seja habitada todos esses milhões de anos que a Ciência diz, relativamente tenha demorado outros tantos milhões para apresentar progresso. E não venha me dizer que eu sou descendente de macaco, que aí o respeito acaba – meu professor de Biologia e Química do cursinho pré-vestibular disse que, tecnicamente nós não somos descendentes do macaco, e sim de um parente próximo; mas continuo não aceitando essa explicação.
    Se a mente humana, mesmo sendo limitada, consegue gerar muita coisa, como limitar a sua própria existência ao simples acaso? Dizem que é difícil ter fé, mas procurar argumentos para simplificar a existência do Universo dá muito mais trabalho que simplesmente crer.

                                                                                                                                             Geórgia B. Moreira

Nossa Identidade

porta estreita, porta larga

    O meu amado é meu, e eu sou dele; ele pastoreia entre os lírios. (Cântico dos Cânticos 2:16, NVI) 

    Poucas palavras que resumem grandes verdades: Eu sou do meu amado, e Ele é meu. Logo, não me pertenço, mas sim a Cristo que vive em mim, como Paulo soube descrever tão bem em Gálatas 2:20.
    Por que eu insisto nesse tema? Porque nós precisamos ter essa certeza guardada em nossos corações, e saber que ela não é uma simples decisão momentânea, da boca pra fora. É um compromisso a ser reafirmado dia após dia, é a nossa identidade. Ninguém brinca de ser filho de Deus (e se sim, o faz de maneira inconsequente). Assumir a nossa identidade como tais implica em parar de “bater cartão” na igreja e entender que mais do que assistir aos cultos no dia de domingo, é lá fora, nos outros dias da semana, onde mostramos quem realmente somos e somos testados. Significa deixar de lado os nossos pecadinhos de estimação e aprendermos que, mais que simplesmente pedir a Deus, bem aventurados somos quando entregamos os nossos caminhos, pensamentos e vontades a Ele. Consiste em nos deixarmos ser apascentados pelo Senhor e, não somente conhecer a Sua palavra, mas vive-la de maneira que aqueles que O desconhecem creiam e aceitem receber esse amor. É reconhecer que a nossa maneira não é a melhor, muito pelo contrário, que a mesma pode nos conduzir ao fundo do poço.

    Não é fácil, é verdade (o próprio Jesus disse isso em Mateus 7:13–14). Mas quem disse que seria? Eu ouvi dizer (e li) que a nossa promessa é outra:

    E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos. (Mateus 28:20b, NVI)

    E aí, vamos parar de reclamar e começar a agir?

         
                                                                                                                   Geórgia B. Moreira  

A Síntese da Espera

look at the sky

    Mulheres de Jerusalém, eu as faço jurar pelas gazelas e pelas corças do campo: não despertem nem provoquem o amor enquanto ele não o quiser. (Cântico dos Cânticos 2:7, NVI)

    Eu poderia parar por aqui, pois o versículo é autoexplicativo. Mas vou complementar com o que tenho aprendido – e não pense que isto faz com que eu seja melhor que alguém, pelo contrário, uso esse trecho como um constante lembrete.
    Temos aprendido que devemos esperar pelo melhor de Deus para nossas vidas, que buscar a santidade em tudo é a melhor maneira a se fazer, que para todas as coisas há o seu tempo e o seu propósito… Mas, como podemos cumprir todos esses requisitos? A fórmula já foi dada no versículo em destaque.
    E, assim como o pequeno texto, me dirijo às mulheres. Por quê? Porque não entendo muito sobre homens e seus conflitos, mesmo sabendo que estes existam, e falo somente do que sei. E, o que sei? Sei que mulheres são românticas, sonhadoras, emotivas, têm a imaginação fértil e tendem a interpretar pequenos gestos como grandes “sinais”. Sei porque sou mulher, logo não falo da boca pra fora.
    A melhor forma de poupar sofrimento e constrangimento, e a síntese da própria espera (penso que a esta altura você já tenha entendido que a espera é o oposto daprocura, e principalmente para nós, mulheres, consiste em deixar que alguém nos ache primeiro) está em Cântico dos Cânticos 2:7. Seguindo esse princípio, além de termos um bom fundamento, as outras etapas ficam mais fáceis. São poucas linhas de importância tão grande que, no mesmo livro, repetem-se duas vezes mais:

    Mulheres de Jerusalém, eu as faço jurar pelas gazelas e pelas corças do campo: Não despertem nem incomodem o amor enquanto ele não o quiser. (Cântico dos Cânticos 3:5, ver também 8:4)

    Ou seja, Deus fez questão de enfatizá-lo para não nos esquecermos. Se de fato amamos o Senhor como dizemos que amamos, sabemos que a maior prova de amor que podemos dar é guardar os seus mandamentos, e não podemos deixar esse de lado. 

Geórgia B. Moreira